Fragilidade das identidades

O texto examina o tema da fragilidade das identidades em Paul Ricoeur. Nossa hipótese é que o mesmo quadro analítico utilizado no tratamento das aporias da identidade temporal, que se resolvem em termos narrativos, será aplicado no diagnóstico e no tratamento das fragilidades das identidades pessoal e coletiva. Trata-se do quadro construído com base no pressuposto de que o poder da narrativa reside na articulação dialética entre a mesmidade e a ipseidade, o que e o quem, o caráter e a promessa. A primeira tarefa consiste em saber se os desvios das variações imaginativas, que resultam da distorção ou paralização dessa dialética de base, são os mesmos apontados nas fragilidades da memória. A segunda tarefa consiste em mostrar que as fragilidades das identidades, em especial a compulsão à repetição e a melancolia, estão caracterizadas com base na sobreposição de um desses polos ao outro. Entendemos que Ricoeur, nesse ponto, avança em relação à solução freudiana, na medida em que retoma o lado positivo da melancolia, propondo a terapia do trabalho da memória; não obstante, pretendemos dar um passo mais no sentido de complementar essa terapia pela meditação, que se orienta pela memória espacial. Por fim, examinamos a tese de que as lutas por reconhecimento das identidades deixaram de lado as reivindicações por redistribuição econômica. Concluímos que a luta por reconhecimento tem de ser limitada e corrigida naquilo que desencadeia a deposição e a morte do outro; e que, além disso, o reconhecimento pautado pela bondade e pelo dom tem de levar a uma justa distribuição econômica e aos estados de paz.

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